Economistas projetam alta de 2,09% na produção industrial de agosto

Por Francine De Lorenzo e Tainara Machado | De São Paulo

Os economistas avaliam que o movimento de recuperação da indústria brasileira ganhou força em agosto, com mais setores registrando aumentos na produção. A média das estimativas de dez departamentos econômicos de instituições financeiras e consultorias ouvidos pelo Valor Data aponta alta de 2,09% na produção industrial em agosto sobre julho, já descontados os efeitos sazonais, com as projeções variando de 1,6% a 2,6% no período. Se confirmado, o resultado representará uma forte aceleração frente ao aumento de 0,3% visto em julho, nesta mesma base de comparação. Os dados de agosto serão divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“São consistentes os sinais de que a indústria teve, em agosto, desempenho bastante superior ao de julho. A estagnação ficou para trás”, afirma Marcelo Arnosti, da BB DTVM, que prevê aumento de 2% na produção industrial em agosto. Sua avaliação tem por base indicadores que se relacionam com o desempenho da indústria, como o de fluxo de veículos pesados nas estradas, que pelos seus cálculos aumentou 4% entre julho e agosto, feitos os ajustes sazonais, e o de consumo de energia elétrica, que de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) subiu 1,3% neste período. Ele ainda cita a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado, utilizados como embalagens de produtos, que após a dessazonalização realizada pela BB DTVM apresentou aumento de 6% neste mesmo intervalo.

Os efeitos dos incentivos fiscais, da redução dos juros e da ampliação do crédito, diz Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, começam a ser captados com maior intensidade pela indústria. “Agora, parece que o setor terá condições de voltar a crescer.” O economista observa que, em julho, embora a indústria tenha apresentado resultado positivo, apenas 12 dos 27 setores analisados pelo IBGE ampliaram a produção. “O que vínhamos vendo era um crescimento concentrado, puxado pelo setor automobilístico. Esperamos que em agosto a expansão tenha sido mais disseminada.”

Essa também é a expectativa de Arnosti. Entretanto, o economista ressalta que, mesmo com a reação dos outros setores, grande parte do crescimento esperado para a produção industrial em agosto ainda será derivada da indústria de veículos. Os dados da Anfavea, entidade que representa as montadoras no Brasil, dessazonalizados pela BB DTVM, mostram aumento de 2,8% nos licenciamentos de automóveis entre julho e agosto.

“Muitos consumidores anteciparam suas compras por conta da incerteza em relação ao fim do IPI reduzido”, observa Arnosti. A princípio, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis acabaria em 31 de agosto, mas o governo decidiu prorrogar a medida até o fim de outubro.

A decisão, para Fernanda Consorte, do Santander, faz sentido, já que, segundo ela, as montadoras vão puxar a recuperação de toda a indústria brasileira. Os efeitos das medidas de incentivo ao consumo de veículos, diz Fernanda, refletirão com mais força sobre o segmento de bens intermediários em agosto, quando o crescimento da produção deverá superar a alta de 0,5% vista em julho, na comparação com o mês anterior, feitos os ajustes sazonais.

“Apesar de as montadoras representarem pouco menos de 10% da indústria de transformação, elas demandam metade da produção de bens intermediários – segmento que responde por 60% da indústria do país”, argumenta. “Somente esse avanço em bens intermediários já será suficiente para fazer com que a alta da produção industrial seja mais espalhada.”

Os benefícios fiscais, que são válidos também para linha branca e outros produtos, pontua Arnosti, estão ajudando a indústria a regularizar seus estoques. “Isso vai permitir que o setor continue crescendo, já que o consumo mantém-se favorável.” Com a renda avançando e os juros caindo, o economista aposta em uma aceleração no consumo das famílias nos próximos meses, favorecendo os segmentos industriais a ele relacionados. Mas Arnosti ressalta que aumentos mensais intensos na produção industrial como o projetado para agosto não devem se repetir nos próximos meses.

Pelos cálculos de Fernanda Consorte, do Santander, as altas devem ficar entre 0,7% e 0,8% ao mês até dezembro. Ela avalia que o aquecimento da economia brasileira vai sustentar o movimento ascendente, mas lembra que o cenário internacional ainda impõe limites ao desempenho da indústria. “A Argentina é nosso maior parceiro comercial em manufaturados e estamos vendo as exportações cederem”, destaca. “Se não houver investimentos em 2013, no ano seguinte a indústria voltará a desacelerar.”

Mesmo com a recuperação esperada neste segundo semestre, a indústria não deverá ter forçar para anular as perdas da primeira metade do ano. A expectativa é que a queda de 1,94% na produção industrial em 2012, de acordo com a média das previsões de nove instituições financeiras e consultorias consultadas pelo Valor Data.

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