Brasil está entre os países com as menores taxas de impostos pessoais, segundo pesquisa

A diferença entre Europa Ocidental, com impostos altos, e resto do mundo cresce. Em contrapartida, Europa Oriental, BRICs e Ásia-Pacífico oferecem os impostos mais baixos
Por Redação, Administradores.com

Levantamento realizado pela UHY, rede global de contabilidade e consultoria, aponta que o Brasil está entre os países com as menores taxas de impostos pessoais aos cidadãos com ganhos mais altos.

Dos 26 países analisados pela UHY, o Brasil tem o 12º imposto mais baixo para quem ganham US$ 25.000 e o 9º imposto mais baixo para quem ganha US$ 200.000.

Profissionais de impostos de UHY estudaram dados em 26 países em toda sua rede internacional, incluindo todos os membros do G8 e as economias emergentes do BRIC. UHY calculou o “pagamento que se leva para casa”* básico de um empregado solteiro (após descontos de impostos e contribuições sociais) de US$ 25.000, US$ 50.000, US$ 200.000, US$ 250.000, e US$ 1.500.000.

Diego Moreira, diretor da UHY Moreira-Auditores no Brasil e membro de UHY, comenta: “O Brasil tem um desempenho muito consistente nas taxas de imposto e é capaz de impor encargos tributários baixos para todas as áreas da escala de renda. Ele equipara muito bem com o G8 e as economias BRIC”.

Diego Moreira acrescenta: “Altos impostos pessoais também podem ser um impedimento para o investimento empresarial, porque amortecem a produtividade: altos impostos enfraquecem os incentivos para trabalhar mais e ganhar mais. Se as empresas ou os empreendedores sentem que os altos impostos pessoais são um problema, eles vão pensar em investir em outro lugar”.

“O problema para o Brasil é que a carga tributária cai pesadamente sobre o empregador. Às vezes, os empregadores podem ter de pagar até 75% de um salário em impostos, considerando-se os benefícios mais comuns. As empresas vão olhar para impostos de emprego bem como os impostos pessoais no momento de decidir onde investir”.

Os países BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – têm alguns dos mais baixos níveis de imposto pessoal e de contribuições para segurança social. O contribuinte médio em um país BRIC vai manter 85% de sua renda de US$ 25.000 e 75% com US$ 200.000. Isso se compara a apenas 80% e 62% para os mesmos contribuintes médios nos países do G7.

O Brasil é uma das economias que impõem a baixa tributação mais consistentemente, aparecendo com mais frequência nas dez economias com as mais baixas cargas fiscais em todos os segmentos de renda. Itália e França apareceram com mais frequência entre as economias com maiores cargas fiscais.

O G7 apenas conseguiu uma redução tributária média de US$ 31 para os que ganham US$ 25.000 de 2011 a 2012, em comparação com uma redução tributária média de US$ 198 nas economias emergentes BRIC.

Dois dos países que impõem os cinco maiores aumentos de impostos entre 2011 e 2012 para os que ganham US$ 200.000 foram países do G7: Estados Unidos e França.

Diego Moreira acrescenta: “As economias de baixos impostos, como a do Brasil, foram capazes de manter ou reduzir suas taxas tributárias no ano passado”.

Nikolay Litvinov, sócio da UHY Yans-Audit LLC na Rússia, um membro de UHY, comenta: “A taxa plana de imposto de renda de 13% da Rússia se faz muito competitiva em relação às economias rivais, especialmente no ponto mais alto da escala de renda. A Rússia é consistentemente um dos lugares mais baratos para se viver em termos de imposto de renda. Estas baixas taxas de tributação podem ajudar a convencer russos jovens e empreendedores a ficar no país, e estes podem convencer expatriados a voltar”.

“Um contribuinte que ganha US$ 250.000 vai levar para casa mais que US$ 80.000, quantia superior ao que levaria se vivesse na Itália.”

Bernard Fay, de UHY Fay & Co, na Espanha, um membro de UHY, comenta: “No ano passado, a Espanha teve um bom desempenho comparado a outras economias europeias, em termos de imposto de renda. No entanto, tem havido grandes aumentos de impostos no ponto mais alto da escala de renda, bem como diminuições nos serviços públicos”.

“Com o desemprego elevado, serviços públicos drasticamente reduzidos e impostos altos para aqueles que trabalham, há um risco muito real de uma “fuga de cérebros” da Espanha: trabalhadores mais jovens e experientes olharão com inveja para outros países da União Europeia. Tem se falado que outras partes da Europa Ocidental são atraentes para os trabalhadores espanhóis, enquanto a Europa Ocidental – como um todo – vai mal, em comparação a outras regiões”.

James Tng, sócio fiscal de UHY Haines Norton, na Austrália, e membro de UHY, diz: “A Austrália parece ter encontrado o equilíbrio entre um sistema fiscal progressivo e competitivo. Ao contrário de outras grandes economias industriais, a Austrália não tem uma dívida enorme para complicar as coisas. Impostos baixos são oferecidos para quem ganha as rendas mais baixas, mas os impostos sobre quem ganha rendas altas são ainda muito menores do que em outros lugares.”

“Houve um afrouxamento geral das taxas de imposto para quem tem renda baixa e média na última década, começando com a introdução de um Imposto sobre Mercadorias e Serviços em 2000.”

James Tng acrescenta: “A carga tributária baixa reflete a solidez fiscal da economia australiana, particularmente na década anterior à crise financeira global. A Austrália entrou na crise com pouca dívida e tendo de financiar muito pouco em relação às estruturas de segurança social comparada a outras grandes economias, especialmente na Europa. Consequentemente, a Austrália não tem sido forçada a aumentar impostos pessoais”.

* Inclui benefícios fiscais.
** Dados dos países é específica para cidades. Por exemplo, dados dos EUA são de Nova York; os de Canadá, de Toronto.

Fonte: Administradores.com

Site: Contabilidade São Paulo

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